Entre o olhar
que tarde se envolvia no teu.
Num "contra-escuro" de onde
se borratavam teus cabelos,
chegava-me a sensação
que nos derretíamos juntos.
Que alma, fluídos e céu
eram todos a mesma coisa.
Nunca a noite tinha sido
tão breu
e nunca alguém se confundira
com a escuridão
de forma tão clara.
Molhada era a carne.
Os corpos que em escarlate
se confundiam também.
A minha mente colorida
viajava. Por ali até a ela
chegava.
Ela ardia quando olhava.
E arder eu me deixava.
Se céu feito inferno
ou luz feita breu não importava.
Eu queria olhá-la
olhando-me,
queimando-me à loucura.
Humedecendo-me.
Na noite, escura noite,
perder-me em sua procura.
Bastava-lhe seu olhar cruzar
e ser sugado
para a chama que ainda em mim,
humedece, queima e perdura.
VAz Dias
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