segunda-feira, 1 de maio de 2017

Não sei se deva

Não sei se deva
Não sei porquê da
Minha intempérie
No teu solo seco.
Árido e quedo.
Sopra um vento mudo.
Está húmido o ar.
O céu está limpo
Mas vem lá escuridão.
Brota na linha
Do horizonte
Uma imensidão de nada.
Um prenúncio
De tempestade
E cega és tu
De não me ver.
Vai chover.
Vai navalhar a terra.
O chão vai tremer
De tanta saudade
No teu corpo
Se abater.
És tu que te colocas
No limiar da seca.
Da morte.
Da desnutrição
Que a fertilidade pede.
Vou molhar o chão
Que me pisou.
Vou dar mais
Do que sofri.
Sofri esquecimento
E solidão.
Sou vento que se abate
No pulmão.
Não sei se deva.
Não sei não.
Uma intempérie
Que me assola
E na palma da tua
Terra
Me vejo sem mão.
Sem pé.
Sem motivo de perdão.
Só o breu
De um céu aberto de ilusão.
Não sei porquê
A terra vai engolir
Um mar caído do céu
E no meio do bem
Sentirás o mal
Que do corpo provém.
E no meio do mal
Sentirás o bem
Que um coração sustém!

VAz Dias

#palavradejorge

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